SIMPLES


Ela nao gostava do simples. Porque o simples nao gera interpretacao. E ela gostava de interpretar os fatos, as pessoas, os comportamentos.... Porque ao interpretar, ela os moldava conforme sua conveniencia. E isso era bom. Era confortavel. Porque ela sentia-se no controle. Ela gostava de ter controle porque isso dava a sensacao de seguranca. E isso abafava o medo que ela sentia.

Mas nao ha nada alem do simples. Soh o simples. Translucido e transparente.

Ao olhar para o outro com o coracao, ela interrrompe a interpretacao e chega mais perto da verdade, do simples.

OLHAR


E seus dois olhos olhavam o mundo por dois caminhos distintos. O da emocao turvava sua visao. Era precisa voltar a olhar o mundo por um unico olhar. O olhar da unidade, do amor e da confianca.

SILENCIO


O silencio a incomodava. A incomodava porque quando o outro estava em silencio, ela nao sabia o que o outro pensava... ela nao tinha certeza de sua aprovacao. A duvida sobre o que o outro pensava dela, a incomodava.

Hoje, ela sabe que precisa apenas fazer seu melhor e a impressao que causar no outro, eh com o outro.

PERSONAGEM 2


Ela usa a personagem porque acredita que assim pode controlar algo. Controlar as partes dela, que o outro pode ver.

Mas, isso eh chato e dah um enorme trabalho. Dia apos dia, a alegria, leveza e simplicidade clamam pelo papel principal. E quando esse dia chegar, ela nunca estara tao bonita.

PERSONAGEM 1


Ha tantos personagens.... a pessoa boa, a mae zelosa, a mulher independente, a autosuficiente.... e em cada momento, uma fala. Enquanto elas dialogam entre si em um dialogo vazio, a essencia se cala.

PERSONAGEM


Ela carrega um personagem no seu ombro esquerdo. Carrega esse personagem, pois nao se ve, nao se enxerga. Nao se acha boa o bastante, inteligente, esperta ou bonita o bastante. Entao, cria alguem que julga pode atender as expectativas de perfeicao que ela mesma se impos. Mas isso eh pesado e nao funciona. Nao funciona, pois nenhum personagem que ela criar pode ser mais belo do que ela mesma.